Há 30 anos era lançado Farda, fardão, camisola de dormir de Jorge Amado
08/10/2009 at 20:52 Deixe um comentário
Fábula para acender uma esperança
Romance, 1979 | Posfácio de Eduardo Portella
Em 1940, o exército alemão soma vitórias pela Europa. Entre elas, a tomada da cidade de Paris. No Brasil, repressão e tortura são práticas correntes do Estado Novo, regime instituído por Getúlio Vargas em 1937, então ainda simpático ao projeto nazista de Hitler.
É neste panorama geopolítico internacional e brasileiro que morre, na capital francesa, o poeta romântico e boêmio Antônio Bruno. Com isso, abre-se uma vaga na Academia Brasileira de Letras, fato que vai desencadear uma verdadeira guerra nos meios intelectuais do Rio de Janeiro.
Estruturado em capítulos breves, como um espirituoso folhetim, Farda, fardão, camisola de dormir faz uso de um humor ferino e do ritmo caudaloso da escrita do autor para, a partir de um caso localizado e particular, abordar assuntos universais e mais abrangentes.
A acirrada disputa entre os literatos pode ser comparada, com certa licença poética, à guerra travada em terras européias. De um lado, está o coronel Agnaldo Sampaio Pereira, simpatizante do nazismo. Do outro, o general reformado Waldomiro Moreira. A querela prolonga-se por longos quatro meses. Mas os dois candidatos não se equiparam ao estilo e à verve do poeta morto. Tampouco aos princípios humanistas de Bruno. Muito menos ao sucesso que este fazia com as mulheres, como a comunista Maria Manuela.
Como indica o subtítulo original, Fábula para acender a esperança, a narrativa é uma sátira leve e divertida do conservadorismo político da elite, da hipocrisia das tradições familiares e da vaidade intelectual dos literatos.
Informações: Jorge Amado/ Companhia das Letras
No site http://www.jorgeamado.com.br/ você encontra detalhes da vida e da obra de Jorge Amado.
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